segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Atravessar a rua. De mãos dadas.

Eu tinha apenas 7 anos. O meu pai havia me abandonado. Restava apenas a minha mãe. Eu a culpava. Eu a odiava. Eu a maltratava. Eu não entendia. Eu não havia maturidade. Eu não procurava entender. Nós saímos. Fomos atravessar a avenida. Ela esticou seu braço a procura das minhas mãos para segurar. Eu me recusei. Fomos atropelados. Ela morreu. Eu sobrevivi. Não tenho pai. Não tenho mãe. Eu sinto dor. Eu sofro. Eu atravesso a rua. Não tenho aquelas mãos para segurar. Nunca mais vou ter.

1 muffins:

Vitória disse...

Tenho minha maravilhosa mãe comigo, mas meu pai é um alcóolatra, não mora comigo. Então seria mais fácil dizer que tenho um filho do que um pai. Não tenho a ideia exata da dimensão da sua dor, mas sei o que é faltar alguém pra segurar uma das suas mãos na hora de atravessar a rua...